CENTRO-OESTE

Formado por apenas três estados – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás (onde está localizado o Distrito Federal, capital do Brasil) – o Centro-Oeste brasileiro possui a segunda maior área territorial do país, com 1.6 milhões de Km2, menor apenas que a da região Norte, com a maioria de sua população concentrada em apenas algumas poucas grandes cidades. É aqui também, na divisa entre o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, que está localizado o Pantanal, bioma mais famoso da região. Além do Pantanal, a imensidão territorial do Centro-Oeste engloba uma grande diversidade de vegetações, as quais influenciaram fortemente o desenvolvimento das diversas culturas de cada estado.

No norte do Mato Grosso, parte do estado mais próxima do Pará – e, portanto, coberta pela floresta amazônica – a cultura predominante é a indígena, principalmente a representada pelas tribos do Alto Xingu. Lá podem ser encontrados trabalhos icônicos da região, como os bancos de madeira em formato de bichos locais talhados pelos índios meynakos e também as joias de miçanga das tribos kayapós. Contudo, o maior destaque local são as peças em cerâmica criadas pelos waurás. Ao unir formas zoomórficas elaboradas com grafismo tradicional, pintado com jenipapo e urucum, esses trabalhos são considerados os mais sofisticados da região.

Logo abaixo, no Mato Grasso do Sul, estão concentradas as maiores plantações de soja e criação de gado do país. Imensas fazendas e vastas áreas de cerrado compõem a maior parte da paisagem do estado. Espalhados ao longo de pequenas reservas que sobrevivem em meio a esses latifúndios, os índios terena mantêm viva a sua cultura do trabalho com barro. Eles criam vasos, panelas e outros utensílios de cor vermelha muito viva e pintura minimalista. Outra importante cultura ceramista indígena do estado é a mantida pelos índios kadiwéus, cujos trabalhos extremamente coloridos refletem os padrões de pintura corporal próprios dessa tribo.

Além dos terena e dos kadiwéus, outra tribo do Mato Grosso do Sul famosa pelo seu trabalho artesanal é a dos índios ofayé, na aldeia de Anodi, próxima ao leste do estado. Eles trabalham principalmente com estamparia, seus tecidos artesanais e desenhos únicos representam a fauna e flora locais, e são hoje famosos em outras regiões do país.

Com exceção do Distrito Federal, maior cidade do estado e capital do Brasil, Goiás é formado por pequenas cidades espalhadas em extensas áreas de cerrado. Diferentemente dos outros dois estados da região, aqui o artesanato está mais ligado à cultura branca do que à indígena. Dentre as suas produções mais representativas estão os tecidos finamente bordados pelas artesãs da Associação das Bordadeiras de Tabatinga, cidade próxima à capital, e os trabalhos em palha de milho e banana criados por Fatinha Bastos, que representa figuras religiosas, camponeses, bailarinas, flores e outras figuras.