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Hoje em dia, o nome Dr. da Borracha é sinônimo de produto artesanal de qualidade, feito com materiais naturais, de forma sustentável, e cheio de espírito brasileiro. Contudo, essa história de sucesso começou muito antes, num tempo em que esse doutor ainda era só um seringueiro em meio a centenas de outros trabalhando no coração da selva amazônica.

Pouca gente sabe que, antes de ganhar o apelido de Dr. da Borracha, José Rodrigues de Araújo era apenas mais um dos inúmeros trabalhadores pobres fazendo a extração de látex nas matas do município de Assis Brasil, no estado do Acre. Acompanhando seu pai e seu avô desde os 10 anos, José desenvolveu nas décadas seguintes o respeito pela mata e a intimidade com a borracha que influenciariam sua decisão mais tarde de mudar de rumo e tornar-se também artesão.

A semente dessa mudança foi plantada em 2004 após assistir a um curso dado pelo pessoal do Laboratório de Tecnologia Química (Lateq) da Universidade de Brasília, no qual ele aprendeu a técnica de trabalhar a borracha chamada Folha Semiartefato (FSA). Baseada no uso de coagulantes especiais (que dispensavam as penosas horas rodando a seiva na fumaça), José percebeu as potencialidades da nova técnica e se colocou de imediato a criar objetos como sapatos e bolsas, que logo foram aceitos por seus parentes e conhecidos, incentivando-o a seguir com a produção.

Passados 14 anos, o Dr. da Borracha, trabalha hoje em Epitaciolândia, na comunidade Nova Esperança, e fabrica mais de 400 peças por mês. Um dos artesãos mais reconhecidos do Acre, ele representa também um exemplo de relação sustentável com a natureza e do poder do artesanato para mudar vidas. A partir do primeiro sapatinho de borracha colorida feito para seu filho de 3 anos, nasceram diversos modelos de cores e formatos diferentes – femininos, masculinos e unissex – que já ganharam direito até a exposição numa feira de design na Itália em 2014.