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Houve um tempo no qual os trabalhos realizados pelos artistas do interior paulista eram vistos como de pouco valor, meros enfeites baratos para quem não podia adquirir peças mais refinadas. Mesmo existindo como Associação desde o início do século XX (uma das mais antigas do Brasil), as Figureiras de Taubaté só passaram a ganhar respeito do meio acadêmico após serem conhecidas pelo importante folclorista Rossini Tavares de Lima nos anos 1940. Influenciado pela reformulação da noção de cultura popular nacional criada por Mário de Andrade, Tavares de Lima passou a incentivar a ideia da importância de seu artesanato como forma de arte representativa da cultura do estado de São Paulo.

Inicialmente, os artesãos de Taubaté criavam pequenas esculturas em barro representando o Divino, santos, presépios e outros temas religiosos, como era o caso do trabalho de Maria Conceição Frutuoso, artesã famosa por restaurar a imagem da santa Imaculada pertencente à igreja local, e muito influente na região. Com o passar do tempo, alguns artesãos começaram a diversificar sua produção, criando outros símbolos folclóricos do Vale do Paraíba, como bois, carneiros, aves e raposas. Desse trabalho com outras “figuras” nasceu o nome que denomina a associação.

Da mesma forma como o jongo é a forma musical mais representativa de São Paulo, as peças criadas pelas Figureiras de Taubaté representam hoje um dos exemplos icônicos do artesanato desse estado. O pavão azul, figura mais emblemática dentre as produzidas em Taubaté, é hoje considerado o símbolo do artesanato paulista.