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Nascido em 1935 na cidade de Bezerros, um povoado à época de apenas 500 habitantes no interior de Pernambuco, J. Borges é um dos mais reconhecidos artistas do Nordeste, Patrimônio Vivo do seu estado e referência internacional de xilogravura popular brasileira. Suas xilogravuras refletem tanto a realidade do dia a dia quanto o folclore do sertão nordestino, e representam de forma criativa as diversas simbologias dessa região.

Desde sempre envolvido no sustento da família, fazendo colheres de madeira para vender em feiras ou fabricando brinquedos artesanais, o pequeno José Francisco Borges já era fascinado por literatura, especialmente a de cordel, tão popular no sertão e que, diz ele, funcionava não apenas como diversão, mas também como forma de aprendizado de leitura.

Um dia, já com uns vinte e poucos anos, Borges trabalhava como vendedor de cordéis na região quando resolveu se aventurar numa empreitada diferente: a de ser o escritor de suas próprias histórias. Entusiasmado pelo sucesso da primeira publicação (O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, ilustrada por Mestre Dila), logo ele foi produzindo outras, o que demandava achar artistas para criar as capas. Sem recursos para pagar esses ilustradores, Borges não se deixou abater. Pegou um pedaço de madeira e, mesmo com pouca experiência, produziu a primeira das centenas de xilogravuras para cordéis, seus e de outros autores, que ele ilustraria ao longo de sua vida. Com o passar do tempo, já nos anos 1970, incentivado por artistas e intelectuais como Ariano Suassuna, seu trabalho com xilogravura ganhou primeiro fama nacional, para logo em seguida tornar-se internacional, com exposições na Europa, América Central e EUA, levando a esses lugares todo o imaginário do Nordeste brasileiro.

Hoje com 82 anos, J. Borges ainda vive em Bezerros, e produz suas xilogravuras, agora, com a ajuda de seus filhos