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A história da artista plástica Nenê Cavalcanti é um daqueles felizes exemplos de redescobertas que a vida às vezes nos oferece. Nascida em 1948 numa família de agricultores com poucos recursos na cidade de Alagoa Nova, interior da Paraíba, Maria das Neves Cavalcanti Moreira descobriu logo cedo que o sertão tanto impõe dificuldades quanto pode também oferecer oportunidades. E uma dessas oportunidades, para ela, era o barro.

A vida em Alagoa Nova nos anos 1950, principalmente numa família com quinze crianças, tornava impossível para seus pais comprarem brinquedos para todos os filhos. Então, a solução era aprender a brincar com o que a natureza tinha para oferecer. Com a ajuda das irmãs, Nenê foi assim gradualmente aprendendo a trabalhar o barro para fazer os próprios brinquedos e outros objetos que ela quisesse ou que a casa necessitasse.

Muitos anos mais tarde, já morando na capital, Nenê primeiro trabalhou um tempo como enfermeira, para, em seguida, trocar de profissão e se tornar pedagoga. Trabalhando com crianças excepcionais nos anos 1980, ela sentiu que precisava de mais recursos para interagir com elas. Resolveu então fazer um curso de artes plásticas e foi aí que aquele trabalho com barro da infância começou a voltar para a vida da futura artista. Gradualmente, Nenê foi se envolvendo com a ideia de produção artística e, quando percebeu, já tinha mudado mais uma vez de profissão.

Passados muitos anos da sua infância, depois de mudanças de rumo e redescobertas, Nenê Cavalcanti estabeleceu-se finalmente como ceramista e professora de artes plásticas. Suas figuras femininas, anjos, máscaras, corpos nus e gordos e peças abstratas feitas em cerâmica e metais reciclados, todos extremamente delicados, já renderam a ela vários prêmios, e são hoje considerados referência estética do estado da Paraíba.