NORTE

Formada pelos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Pará e Tocantins, a região Norte do Brasil é a maior região do país, formada por uma enorme área de 3.853.677 km2 (mais extensa que a área da maioria dos países do mundo), dentro da qual está concentrada a maior parte da Floresta Amazônica brasileira.

Região com vastas áreas de isolamento (apenas 4,6 hab./Km2), sua história cultural e de desenvolvimento foram principalmente influenciadas pela riqueza da biodiversidade local (que atraiu muitos exploradores ao longo dos séculos), a presença do índio e as dificuldades de acesso criadas pela mata densa, que ainda hoje criam imensos problemas de transporte e comércio de produtos em comunidades fora dos grandes centros urbanos.

A cultura do Norte, marcante principalmente na sua culinária e no seu artesanato, é predominantemente indígena. Ela é a região do Brasil com o maior número de tribos ainda preservadas, e uma das com menor influência da cultura negra. Essa presença do indígena e da sua relação natural com a mata se manifestam numa grande diversidade de produções artesanais, representativas da cultura de cada tribo, como são, por exemplo, a o trabalho com miçangas dos Kaxinawá, a cestaria Ticuna do rio Solimões e as joias feitas com babaçu, jupati e jarina criadas pela União das Mulheres Artesãs Indígenas do Rio Negro.

Contudo, a produção artesanal do Norte do Brasil não se resume apenas aos trabalhos criados por indígenas. No estado do Tocantins – anexado à região Norte em 1988 – a presença do negro é mais forte, principalmente nas diversas produções da Associação Capim Dourado, na região de Mateiros, onde a cultura do índio se mistura fortemente à quilombola e à cabocla.

A vastidão da biodiversidade local também foi aproveitada pelo homem branco em trabalhos que hoje são icônicos da Amazônia, como as sandálias de látex natural criadas pelo Dr. da Borracha, em Nova Esperança, no Acre (mesma comunidade onde atuava o seringueiro Chico Mendes, famoso ativista ambiental morto em 1988), os trabalhos em couro vegetal e os brinquedos feitos com a fibra do buriti em Belém do Pará.

Tanto quanto a produção indígena, esses produtos são criados dentro de uma cadeia produtiva que traz recursos financeiros importantes a essas comunidades sem desrespeitar a sustentabilidade da natureza dentro da qual elas estão inseridas.