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Tariana

Fronteira do Brasil com a Colômbia

Acredita-se que a etnia Tariana é descendente das tribos Aruak, que chegaram na América do Sul há quase 700 anos, vindos do Caribe.
Integrados hoje à sociedade Tukana – como estes, os Tariano são uma das tribos brasileiras mais abertas a casamentos com outras etnias –, sua população está espalhada em povoados ao longo  dos afluentes no alto do Rio Negro, no noroeste do estado do Amazonas,  e também na fronteira do Brasil com a Colômbia.  O seu artesanato está fortemente ligado ao trabalho com a palha, material com o qual eles produzem delicados cestos e porta-joias coloridos.

Terena

Mato Grosso do Sul - Brasil

Últimos remanescentes da nação Guaná, a história dos índios Terena no Mato Grosso do Sul ao longo dos últimos dois séculos é semelhante à de diversas outras tribos da região, repleta de conflitos com as fazendas privadas, mudanças frequentes de povoado e adaptação à presença do homem branco. Hoje, os Terena que resistem no estado vivem em pequenas “ilhas” próximas a cidades como Aquidauana e Miranda, próximas ao Pantanal. Eles trabalham na agricultura, fornecendo diversos produtos às feiras próximas às suas aldeias, enquanto tentam preservar suas manifestações culturais tradicionais.

Dentre essas manifestações, o artesanato com barro tem um papel social importante. Primeiro, o trabalho é iniciado pelos homens da aldeia, responsáveis pela coleta do material na natureza e, mais tarde, pelo processo da queima. Em seguida, o barro é passado às mulheres, que aplicam sua criatividade na formação de peças tradicionais como animais estilizados, vasos, panelas, bules e outros utensílios pintados todos com um pigmento vermelho e grafismo minimalista que dão à cerâmica um aspecto vibrante muito característico desse artesanato.

2Indigenas---terena

Kadiwéu

Mato Grosso do Sul - Brasil

Descendentes dos índios Guaikurús, descobertos no século XVII por explorados espanhóis que adentravam terras brasileiras, os Kadiwéu são o último grupo remanescente dessa tribo ainda vivendo no Mato Grosso do Sul. Chamados de “índios cavaleiros”, por possuírem ótima destreza em montaria de cavalos (um fato pouco comum entre os índios brasileiros), eles vivem hoje em terras demarcadas próximas à cidade de Porto Murtinho, grande parte delas dentro da região do Pantanal.

Índios beligerantes e de sociedade profundamente hierarquizada, os Kadiwéu atraíram a atenção de antropólogos famosos como Darcy Ribeiro e Claude Lévi-Strauss. Uma das manifestações culturais dessa etnia mais estudadas é a dos padrões geométricos das suas pinturas corporais criados pelas mulheres da tribo com pó de carvão e suco de jenipapo. Esses desenhos simétricos são usados também na pintura característica dos potes, pratos, vasos e cuias de sua cerâmica, imprimindo às peças um visual inconfundível.

 

Ofayé Anodi

Brasilândia - Mato Grosso do Sul - Brasil

A tribo Ofayé foi vista pela primeira vez pelo homem branco no século XVII, quando ainda estava espalhada por grande parte do leste do estado do Mato Grosso do Sul, vivendo às margens dos rios Paraná, Tietê e Sucuriju. No século passado, com o acelerado desenvolvimento da agropecuária na região, a tribo acabou sendo realocada pelo governo diversas vezes para minimizar os conflitos com fazendeiros que já haviam reduzido drasticamente sua população, e hoje ocupa a aldeia de Anodi, próxima à cidade de Brasilândia.

Ao contrário de outras tribos do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que tem a palha e cerâmica como principais materiais, os Ofayé trabalham principalmente com estamparia, produzindo delicados tecidos artesanais com desenhos únicos representando a fauna e a flora locais, estampados ou costurados à mão, e que são depois transformados em fronhas para almofadas, toalhas de mesa e outros itens. O apoio a esse trabalho artesanal constitui hoje uma forma de resgate das tradições culturais dessa etnia.

Kambiwá

Serra Negra - Pernambuco - Brasil

Índios originalmente da região de Serra Negra, no sertão do estado de Pernambuco, os Kambiwá são os últimos remanescentes de um grupo grande de tribos dessa região, expulsas de seus territórios originais pelos colonizadores europeus que, a partir do começo do século XVII, adentravam cada vez mais o continente em busca de terras para o plantio de cana de açúcar e criação de gado.

Atualmente, os Kambiwá (cujo nome, segundo eles, significa “retorno à serra negra”) ocupam assentamentos demarcados pelo governo próximos aos municípios de Inajá, Ibimirim e Floresta, no interior do estado. Como outras tribos do sertão, os trabalhos artesanais com palha são comuns na sua cultura. Contudo, uma produção artesanal interessante e muito apreciada dessa tribo é a escultura em madeira. Trabalho tipicamente masculino, as esculturas feitas de imburama-de-cambão (Amburama cearensis) reproduzem imagens de santos, carrancas e outros objetos, e representam hoje uma renda econômica importante para suas aldeias.

Karajá

Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará - Brasil

Para os Karajás, o rio Araguaia e a ilha do Bananal são referências tanto sociais quanto mitológicas. Seus quase 4 mil habitantes estão espalhados em povoados ao longo de suas margens, atravessando os estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso. Socialmente, os diversos pontos do rio demarcam o território específico de pesca, caça e práticas rituais de cada aldeia, conhecidos e respeitados por todas as demais. O rio representa também o início da sua história: os Karajás se considerem descendentes do povo mitológico que habitava uma aldeia no fundo do rio, e que, após encontrarem uma passagem para a superfície, passou a viver neste lado do mundo.

O artesanato criado pelos Karajás é muito diversificado, mas é o barro que ainda ocupa o lugar de maior proeminência dentro de produção cultural dessa etnia. Reconhecido hoje pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial brasileiro, essa produção inclui desde a representação típica de animais da floresta, comuns a diversas outras etnias, até as chamadas Ritxoko, bonecas de cerâmica coloridas moldadas, pintadas e queimadas pelas mulheres da tribo, cuja forma de representação do ser humano tem papel de destaque dentro da cerâmica indígena brasileira.

2Indigenas---Karajá

Kayapó

Mato Grosso e Para - Brasil

Com aproximadamente 11 mil habitantes, os Kayapós estão divididos hoje em três grandes grupos, com outros vários subgrupos ligados, todos vivendo na região do Alto Xingu. Habitantes originais da região do rio Tocantins (no estado de Goiás), conflitos gerados com a chegada dos exploradores no século XIX foram forçando sua migração cada vez mais para o Oeste, até chegarem ao local onde estão assentados atualmente. Um fato interessante sobre seu modo de vida é o de que eles mantêm suas aldeias embrenhadas na mata, perto de pequenos riachos e longe dos grandes rios, ao contrário da maioria das outras tribos, que usam suas margens férteis para a agricultura ou como forma de facilitar sua locomoção por longas distâncias.

Os Kayapós relutam até hoje a manter um contato frequente com o homem branco. Contudo, paradoxalmente, uma das produções artesanais mais difundidas dessa etnia é baseada em um material trazido pelos colonizadores desde as primeiras expedições europeias ao novo continente: a miçanga. Essas bolinhas de vidro de diversas cores e tamanhos são usadas pelos Kayapós para a produção de brincos, colares, braceletes e outros ornamentos, sempre utilizando os padrões característico de seu grafismo tradicional.

Macuxi

Roraima - Brasil

Habitantes da região leste do estado de Roraima compreendida entre as cabeceiras dos rios Branco e Rupununi, os Macuxi somam hoje mais de 20 mil integrantes apenas no Brasil, com outros 9 mil divididos entre a Guiana holandesa e a Venezuela. Estabelecidos num ponto estratégico de segurança nacional, essa etnia tem convivido com a invasão do homem branco desde o século XVIII, quando os primeiros portugueses desbravaram a região. Desde então, atividades diversas de extrativismo (principalmente da borracha) e de pecuária tem tomado grandes áreas antes pertencentes às suas tribos, o que causou inevitáveis conflitos que ainda hoje ameaçam a segurança dos Macuxi.

O artesanato dessa tribo hoje é bem diversificado, e incluiu chicotes de couro, panelas de barro, brincos, colares e até uma série de divertidos chaveiros, com pingentes feitos de pequenas esculturas em formato de animais da floresta amazônica, como macacos, antas, araras e onças pintadas.

Mehinako

Norte do Estado do Mato Grosso - Brasil

Descobertos durante a expedição do explorador alemão Karl von den Steinen em 1884, quando toda a área do Alto Xingu foi finalmente desbravada pelos exploradores europeus, os índios mehinakos estão estabelecidos na margem esquerda do rio Curisevo, no norte do estado do Mato Grosso. Tribo com língua própria, mas sem escrita, eles formam parte de uma grande cadeia de inter-relações com outros povos indígenas que vivem na mesma região, dentro da qual é permitido o casamento com integrantes de outras tribos.

Uma parte muito interessante do artesanato criado pelos mehinakos é o seu trabalho em madeira. Usando troncos de árvores, eles esculpem pequenos bancos em formatos de animais da região, como onças, macacos, tatus e aves, os quais, após esculpidos, são lixados e pintados com grafismos próprios dessa etnia.

Munduruku

Pará, Mato Grosso e Amazonas - Brasil

O primeiro contato dos índios Munduruku com os colonizadores portugueses foi relatado na segunda metade do século XVIII. Povo guerreiro que tinha o costume de mumificar as cabeças de seus inimigos mortos por acreditar em suas propriedades mágicas, essa etnia era temida por outras tribos e dominava culturalmente toda a região próxima à nascente do rio Tapajós. Após dois séculos de confrontos com o homem branco, os quase 11 mil índios Munduruku que existem hoje permanecem vivendo próximos a esse rio, distribuídos em 30 aldeias espalhadas entre os estados do Pará, Mato Grosso e sudoeste do Amazonas.

Um aspecto interessante da cultura dessa etnia é o seu sistema de contagem. A sua língua só possui palavras para os números até cinco, mas, apesar disso, eles desenvolveram um sistema próprio de aritmética que lhes permite realizar operações matemáticas aproximadas com a mesma acuidade de uma pessoa ocidental que tenha recebido treino escolar nessa área. O artesanato Munduruku inclui cerâmica, trabalhos com palha, colares e utensílios domésticos, como é o caso das famosas cuias negras ornadas com grafismos tradicionais, tidas hoje como um dos símbolos do artesanato do estado

Tikuna

Amazonas - Fronteira entre o Peru e o Brasil 

Com aproximadamente 53 mil habitantes apenas na Amazônia brasileira, os Tikuna formam o povo indígena mais numeroso do Norte do Brasil, assentado em sua maioria em aldeias próximas às margens do rio Solimões, numa região conhecida como tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia (outros 15 mil indivíduos vivem divididos entre esses dois países).

Infelizmente, o grande número de sua população não foi suficiente para evitar que, ao longo do século XX, seringueiros e companhias madeireiras passassem a explorar intensamente suas florestas. Esse processo se invasão do homem branco, trazendo violência e doenças desconhecidas, colocou em risco a sua sustentabilidade social e a preservação de sua cultura. Uma parte significativa do resgate e manutenção dessa cultura está presente em seu artesanato, que inclui chocalhos, máscaras de animais em madeira e bonecos. Aqui, um dos trabalhos mais significativos é o da famosa cestaria Tikuna, feita com palha de tucumã seca. As peças, trançadas prioritariamente pelas mulheres da aldeia, são tingidas com tintas e corantes extraídos de cerca de quinze espécies de plantas diferentes.

2Indigenas---Tikuna

Tukano

Mato Grosso, Pará, Tocantis e Goias - Brasil

Os Tukanos vivem às margens do rio Uaupés, um dos principais afluentes do rio Negro, localizado no noroeste do estado do Amazonas, perto da Colômbia. Essa etnia engloba outras diversas que vivem na mesma região, todas com a mesma língua (apenas a etnia Tariana tem uma língua diferente), formando um amplo sistema social de trocas, comércio e relações pessoais.

De acordo com a mitologia dessa tribo, as forças ancestrais que criaram a floresta ainda estão presentes em tudo que a compõe e, portanto, cada animal, planta e até os objetos confeccionados a partir de materiais providos pela mata carregam em si essa essência. Dentro desse conceito, os bancos ritualísticos fabricados pelos Tukanos são um importante trabalho artesanal dessa etnia. Feitos de uma madeira chamada sorva (Sorbus domestica L.) e adornados com desenhos geométricos, eles concentram dois tipos de poder: a força de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes.

Tupinambá

Próximos a Ilhéus, na Bahia - Brasil

Quando os exploradores portugueses chegaram na costa brasileira, os Tupinambás somavam mais de 100 mil indivíduos, tornando-os a tribo mais populosa da região Nordeste. Famosos por seus rituais de guerra, nos quais eles devoravam os corpos dos inimigos capturados, seus costumes foram amplamente relatados por exploradores alemães e franceses ao longo do século XVI.

Passados cinco séculos, hoje a maior parte de seus descendentes vivem em centros urbanos, com um único grupo remanescente – chamado tupinambás de Olivença – ainda vivendo na natureza, próximo a Ilhéus, no sul do estado da Bahia. Dentre os trabalhos artesanais que essa etnia produz, a piaçava tem uma posição de destaque. Com ela, os Tupinambás fazem cestos, esteiras, adornos e outros objetos, todos coloridos com corantes naturais extraídos de plantas e sementes da região.

Tuyuka

Amazonas - Brasil

Povo indígena do Amazonas pertencente à família dos Tukano, os Tuyuka se autodenominam “filhos da cobra de pedra”, um ser lendário que, ao descer pelo rio Negro vindo do norte, foi se transformando em várias outras cobras (os afluentes do rio), dando origem a diversos povos. Hoje, os seus quase mil indivíduos habitam o noroeste do estado do Amazonas ao longo do Alto e Médio Rio Negro, afluentes do rio Uaupés e partes da Colômbia.

Um aspecto cultural interessante dos Tuiuka é a sua formação escolar. Com a atuação das Missões católicas na região durante o século XX, muitos integrantes dessa tribo foram trazidos para o sistema escolar tradicional. Com o declínio do número de professores ao longo das décadas, suas aldeias se organizaram para manter o ensino escolar vivo, mas agora integrado à sua própria cultura. Desse processo nasceu a Escola Utapinopona-Tuyuka, uma escola indígena autônoma que usa a própria língua no seu processo de ensino, ajudando assim a preservação de seus saberes tradicionais. Dentre estes, destaca-se seu conhecimento secular na fabricação de leques, redes, cestos e outros objetos feitos com fibra de buriti ou palha, e também na construção de canoas de madeira, item importante para locomoção na Amazônia.

Umutina

Mato Grosso - Brasil

Tribo conhecida por seus rivais como agressiva e violenta contra quem tentasse invadir suas terras, os Umutinas ficaram famosos também entre os europeus por sua resistência contra qualquer tipo de ocupação. Inicialmente vivendo na margem direita do Rio Paraguai à época da chegada dos colonizadores na região em fins do século XIX, os sangrentos conflitos gerados por essa invasão influenciaram sua mudança mais para o norte do estado do Mato Grosso, próximo ao rio Bugres, afluente do Rio Paraguai, onde estão localizadas atualmente suas duas aldeias.

Chamados de índios barbados devido à presença de uma barba rala nos homens – fator de orgulho social – grande parte de sua população foi morta em conflitos com extrativistas da região ou por surtos de gripe, sarampo, tuberculose e pneumonia. Hoje, essa etnia está reduzida a poucos habitantes vivendo em um território próprio demarcado pelo governo. Além da pesca e da agricultura, eles sobrevivem também vendendo seu artesanato, o qual inclui arcos e flechas adornados com penas, os mesmos usados por eles para caçar.

Waurá

Norte do Mato Grosso - Brasil

Tribo do Alto Xingu, região no norte do estado do Mato Grosso, o primeiro relato sobre esses índios foi feito no final do século XIX pelo explorador alemão Karl von den Steinen. Hoje, os Waurás estão assentados perto da lagoa Piyulaga, na margem direita do rio Batovi, localizado a oeste do grande parque indígena delimitado pelo governo nessa região. Apesar da maior tranquilidade que esse ambiente propicia, a presença de muitos latifúndios de exploração madeireira e de pecuária nas fronteiras do parque ainda causa muitas tensões entre os índios e o homem branco.

A principal produção artesanal dos Waurás é, sem dúvida, a sua cerâmica, considerada por muitos estudiosos a mais refinada dentre as tribos do Xingu. Representando desde animais locais quanto figuras zoomórficas mais abstratas, as formas e grafismos dessa cerâmica conferem às peças um toque sofisticado e, ao mesmo tempo, muito próprio de uma raiz indígena tradicional.

Yanomami

Norte do Amazonas e Oeste de Roraíma - Brasil

Dividida em quatro subgrupos, cada um com uma língua própria, a etnia Yanomami é uma das maiores tribos indígenas do Brasil, com aproximadamente 15 mil indivíduos espalhados em 255 aldeias nos estados de Roraima e Amazonas – ambos próximos à fronteira com a Venezuela, onde eles também possuem aldeias. Acredita-se que os primeiros ancestrais dessas tribos chegaram na região por volta do ano 1000. Contudo, as primeiras interações com o homem branco ocorreram apenas no início do século XX, fato raro entre os índios brasileiros.

O artesanato Yanomami mais conhecido é a cestaria de palha, criada exclusivamente pelas mulheres da aldeia. Feita originalmente para seu uso doméstico, essa cestaria utiliza como principal matéria-prima a fibra do cipó-titica (Heteropsis Jenmani), extremamente durável e resistente. Um ponto interessante desses trabalhos é seu formato circular. Usado por eles na construção de suas aldeias, casas, nos corte de cabelo etc., esse é um elemento marcante em toda a cultura dessas tribos.

Yawalapiti

Mato Grosso - Brasil

Da mesma forma que diversas outras etnias vivendo no Alto Xingu, os Yawalapiti foram descobertos durante a expedição do etnólogo alemão Karl von den Steinen no final do século XIX. Vistos pela primeira vez em 1887, eles impressionaram os visitantes com o seu nível de pobreza, identificado mais tarde como parte de um processo de declínio social do grupo causado por conflitos com outras tribos, e que culminaria mais tarde com a dissolução total da aldeia por volta de 1930. Nesse processo, uma parte do grupo acabou instalando-se em numa região chamada Yakunipi, na parte sul do Alto Xingu, considerada a primeira aldeia dos atuais Yawalapiti. Ali, vivem hoje também índios kamaiurá, kuikuro, kalapalo, waurá e mehinako.

Vivendo basicamente da caça e da pesca, os Yawalapiti têm como principal artesanato o trabalho com miçangas, com as quais eles produzem colares, pulseiras, tornozeleiras e outros diferentes adereços com padrões intrincados e muito coloridos. Muitas peças têm significado cerimonial e ancestral e são feitas pelas adolescentes como ritual de amadurecimento.

Yawanawá

Alto Rio Negro, Amazonas - Brasil

Etnia conhecida por sua alta sociabilidade, a comunidade Yawanawá reúne índios de grupos próximos, como os Shanênawa, Yaminawá e Shawãdawa, além de estar bem integrada à sociedade branca (por exemplo, muitos deles votam em eleições municipais e estaduais). Atualmente, a maior parte dos seus quase mil integrantes vive próxima à cabeceira do rio Juruá, no estado do Acre, local da Terra Indígena Rio Gregório. Localizada junto ao município de Tarauacá, nessa cidade está instalada a Organização dos Agricultores Extrativistas Yawanawá do Rio Gregório (OAEYRG), importante centro de apoio para seus habitantes.

A atividade artesanal Yawanawá é bem diversa. Realizada em sua maioria pelos mais velhos da aldeia, certas produções, como o fabrico de arcos, flechas e lanças, é responsabilidade exclusiva dos homens, enquanto outras, como cerâmica e cestaria, são feitas apenas pelas mulheres. Desta última, destacam-se os seus belos colares e pulseiras de miçanga, cujos grafismos tradicionais são extremamente coloridos e requintados.

BARÉ

Acre - Brasil

Os Baré são uma etnia do estado do Amazonas que vive próxima ao rio Xié, afluente do Alto Rio Negro, região para a qual eles migraram para fugir da violência e exploração de seu trabalho trazida pelos colonizadores brancos ao longo dos últimos dois séculos. Hoje com aproximadamente 4 mil habitantes, eles estão distribuídos em muitos povoados, cujos principais são Cucuí, Vila Nova e Cué-Cué. O artesanato dessa etnia está muito ligado ao trabalho com a madeira, como é o caso da produção de Célio Arago, morador da comunidade de Nova Esperança.

Filho de carpinteiro, Célio começou a esculpir sua arte em 2007, a princípio experimentando com pequenos objetos de uso cotidiano, como porta-chaveiros em formato de canoa e molduras para quadros. Inspirado pela fauna local, Célio começou a escolher para seus trabalhos animais incomuns nas feiras da região, como é o caso da arraia de pintas coloridas, animal frequente em alguns rios do Amazonas muito capturado na época da seca. 

HUNI KUIn

Fronteira do Acre com o Peru

Os quase 11 mil índios da etnia Huni Kuin (conhecida também por Kaxinawá) vivem atualmente na fronteira do Peru com o estado brasileiro do Acre. Aqui, suas aldeias povoam a margem direita dos rios Tarauacá, Jordão, Breu, Muru, Envira, Humaitá e Purus. Na Terra Indígena do Alto Purus, eles vivem com seus vizinhos tradicionais, os Kulina, para os quais essa reserva foi criada originalmente. No passado, seu contato mais duradouro com o homem branco teve início no final do século XIX, com a invasão da região para a extração da borracha natural. Os embates com os invasores duraram até os anos 1930, quando os Huni Kuin começaram por iniciativa própria a se integrar mais ao mundo dos colonizadores.

Culturalmente, os Huni Kuin fundamentam seu artesanato e pinturas corporais no conceito do kene kuin – o desenho verdadeiro. Esse conceito entende a pintura e os padrões gráficos como importantes para enfatizar a perfeição dos corpos das pessoas e das formas dos objetos, e são aplicados como marcação dos momentos cruciais na existência de ambos. Os padrões do seu artesanato com miçangas coloridas, tão tradicional na região Norte do país, são criados respeitando essa crença.

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